Autismo com a Dra. Temple Grandin

04/jul/2013 às 16:42 por Profa. Sônia R.Aranha em: educação

A Dra. Temple Grandin ,uma norte-americana de sucesso e professora de zootecnia da Universidade Estadual do Colorado, é autista e sua vida foi retratada recentemente em filme protagonizado pela atriz Claire Danes.

O filme Temple Grandin é muito bacana porque mostra um modo diferente  de ver o mundo:  por imagens conectadas. Assista o trailler do filme aqui . Vale a pena conferir!

Este modo de ver o mundo fez com que a Dra.Temple Grandin projetasse um equipamento de mobilidade e movimentação do gado utilizado por várias empresas norte-americanas.

Deixo que a própria Dra. Temple Grandin fale sobre o autismo , palestra proferida no TED. Animador e vibrante saber que é possível vencer o autismo.

Temple Grandin:

O mundo necessita de todos os tipos de mentes

Penso que vou começar por falar um pouco sobre o que é autismo, exatamente. Autismo abrange um espectro muito amplo que vai do muito severo, no qual a criança permanece não verbal, até aos mais brilhantes cientistas e engenheiros. Na verdade sinto-me em casa aqui porque há muitos genes do autismo nesta sala.

É um espectro abrangente de características. Quando um “nerd” se revela ser um Asperger, que não é nada mais do que um grau leve de autismo? Quero dizer, o Einstein, o Mozart e o Tesla (Nikola), seriam todos provavelmente diagnosticados como sendo do espectro autista hoje em dia. E uma das coisas que realmente me vai preocupar é tornar estas crianças naqueles que vão inventar as coisas ligadas às energias do futuro.

E agora quero falar com vocês sobre as diferentes formas de pensar. Vocês tem que se afastar da linguagem verbal. Eu penso em imagens. Eu não penso em linguagem. Então, o que acontece numa mente autista é que se foca nos detalhes. Ok, este é um teste no qual vocês têm de descobrir as letras grandes, ou descobrir as letras pequenas. E o pensamento autista descobre as letras pequenas mais rapidamente.

O que acontece é que o cérebro normal ignora os detalhes. Bem, se vocês estiverem a construir uma ponte, os detalhes são muito importantes porque a ponte pode cair se vocês ignorarem os detalhes E uma das minhas maiores preocupações com as práticas estabelecidas hoje em dia é que as coisas estão a ficar demasiado abstratas. As pessoas estão deixando de colocar as mãos à obra. Preocupa-me que muitas escolas tenham retirado as disciplinas práticas porque artes e disciplinas do gênero essas eram as disciplinas em que eu era excelente.

Ok, no meu trabalho com o gado eu reparei em certos pormenores que a maior parte das pessoas não nota e que fazem o gado entrar em pânico. Como, por exemplo, esta bandeira a flutuar ao vento, exatamente em frente às instalações do veterinário. O gado estava no pátio de alimentação quase a destruir as instalações veterinárias por completo  e tudo o que eles precisavam de fazer era mudar a bandeira de lugar. Movimentos rápidos, contraste. No início dos anos 70, eu desloquei-me às cabines de contenção ver o que é que o gado via. As pessoas pensavam que era uma loucura. Um casaco pendurado numa cerca assustava-os. Assustavam-se com as sombras, com uma mangueira que estivesse no chão.

Na verdade eu adorei o filme, a maneira como eles duplicaram os meus proje tos todos. É o meu lado “geek”. Os meus desenhos também desempenharam um papel no filme. Já agora, chama-se Temple Grandin, não Pensando em Imagens.

Então, como é pensar em imagens? É literalmente ver filmes na nossa cabeça. O meu cérebro funciona como o Google para Imagens. Bem, quando eu era uma criança não sabia que a minha forma de pensar era diferente. Eu pensava que toda a gente pensava em imagens. E quando escrevi o meu livro, Pensando em Imagens, comecei a perguntar às pessoas como é que elas pensam. E fiquei muito chocada por descobrir que o meu pensamento a minha forma de pensar é muito diferente. Por exemplo, se disser “Pensem numa torre de igreja” a maior parte tem uma imagem mais ou menos generalizadas de uma torre. Bem, se calhar nesta sala isto não se aplica, mas é verdade em muitos outros lugares. Eu só vejo imagens específicas. Elas aparecem na minha memória, como se esta fosse o Google para Imagens. E no filme, fizeram uma cena excelente onde a palavra “sapato” é dita, e um monte de sapatos dos anos 50 e 60 começam a aparecer na minha imaginação.

Ok, esta é a igreja da minha infância. É específico. Aqui estão mais umas, em Fort Collins. Ok, que tal umas igrejas famosas? E elas continuam a aparecer, mais ou menos assim. Muito rapidamente, como o Google para Imagens. E aparecem uma de cada vez E eu fico a pensar, ok, podemos ver se neva ou se vai trovejar e eu posso editar essas imagens e fazer um vídeo delas.

Ora bem, o pensamento visual é um bem essencial no meu trabalho em desenhar instalações para o manejo de gado. E tenho trabalhado arduamente em melhorar a forma como o gado é tratado nos matadouros. Não vos vou mostrar aqui nenhuns slides de matadouros horríveis. Tenho essas coisas no Youtube, se quiserem ver. Mas, uma das coisas que consegui fazer no meu trabalho de design foi a de literalmente fazer um teste de funcionamento a uma peça de equipamento no meu cérebro, como se fosse um sistema computorizado de realidade virtual. E aqui temos uma vista aérea da recriação de um dos meus projetos que foi utilizado no filme. Tem um ar tão espetacular! E também havia muitas pessoas com Asperger e com autismo, a trabalhar ali no set de filmagem. (Risos) Mas uma das coisas que realmente me preocupa, é qual é a versão mais novas daquelas pessoas. Eles não vão parar a Silicon Valley, que é onde eles pertecem. (Risos) (Aplausos)

Bem, uma das coisas que aprendi quando era nova, porque como não era muito sociável, foi que tinha de vender o meu trabalho  e não a mim mesma. E a forma como vendi trabalhos na área da pecuária bem, eu mostrei os meus desenhos, mostrei imagens das coisas. Outra coisa que me ajudou em criança foi, bem, nos anos 50 ensinavam-nos a ter maneiras. Ensinavam-nos que não podemos tirar a mercadoria das prateleiras da loja e deixá-la espalhada por todo o lado.

Bem, quando os crianças chegam ao terceiro ou quarto ano, já se nota que este miúdo vai ser um pensador visual, porque desenha perspectivas. Bem, eu quero enfatizar que nem todos os miúdos autistas vão ser pensadores visuais. Bem, eu fiz este TAC há uns bons anos  e costumava fazer piadas por eu ter um cabo gigantesco de ligação à internet profundamente incorporado no meu cortex visual. Aqui temos a ressonância magnética. E o meu cabo gigantesco de ligação à internet tem o dobro do tamanho comparado com o de controle. As linhas vermelhas são minhas e as linhas azuis são de uma pessoa com o mesmo sexo e idade que serve de controle. E podem ver, eu tenho uma linha gigantesca e a linha do controle que está aqui, a azul geralmente tem uma linha bem pequena.

E algumas pesquisas estão agora a demonstrar que as pessoas no espectro geralmente pensam com o córtex visual primário. Bem, o que se passa, é que o pensador visual tem um cérebro único. Estão a ver, o cérebro autista tem tendência a ser um cérebro especializado. Excelente numa coisa, muito mau noutra coisa qualquer. A coisa em que eu era muito má era em álgebra. E nunca me permitiram estudar geometria ou trigonometria. Foi um erro gigantesco. Tenho encontrado muitos miúdos que não precisam de estudar álgebra, precisam de ir diretamente para a geometria e trigonometria.

Bem, outro gênero de cérebro é do pensador por padrões. Mais abstratos. São estes os vossos engenheiros, os vossos programadores de computadores. Aqui temos um padrão de pensamento. Está ali um louva-a-deus que é feito de uma única folha de papel, sem uso de fita cola, e sem cortes. E como fundo temos o padrão que serve para o fazer. Estes são os tipos diferentes de pensamento, os pensadores visuais foto realísticos, como eu. Pensadores por padrões, músicos e matemáticos. Alguns destes têm muitas vezes problemas em ler. Vocês podem encontrar este tipo de problema em crianças que sofrem de disléxia. Podem ver estas formas diferentes de pensar. E depois há a mente verbal. Estes sabem fatos sobre todos os assuntos.

Ora, outra coisas são os problemas sensoriais. Eu estava muito preocupada por ter de usar este aparelho na minha cara. E vim para cá uma hora mais cedo para que eu pusessem habituar-me com ele. A produção dobrou-o para não me bater no queixo. A parte sensorial é um problema. Algumas crianças ficam incomodadas com luzes fluorescentes. Outros têm problemas relacionados com a sensibilidade ao som. Percebem, há sempre variantes.

Bem, pensar visualmente deu-me uma perspectiva do cérebro dos animais. Porque, pensem nisto. Um animal é um pensador baseado nos sentidos não é verbal. Pensa em imagens. Pensa em sons. Pensa em cheiros. Pensem em quanta informação existe na boca de incêndio local. Ele sabe quem esteve lá, quando esteve lá, se é um amigo ou inimigo, se é alguém com quem ele pode acasalar. Há uma tonelada de informação naquela boca de incêndio. É uma informação muito detalhada. E observar todo este tipo de detalhes deu-me bastante perspectiva sobre os animais.

Bem, a mente animal, bem como a minha mente armazena a informação baseada nos sentidos em categorias. Homem a cavalo, e homem a pé, vemos isso como duas coisas totalmente diferentes. Se tiverem um cavalo que foi maltratado pelo cavaleiro. Eles vão ter um comportamento normal com o veterinário e com o ferreiro, mas ele nunca vos deixará montá-lo. E se virmos outro cavalo, outro que tenha sido maltratado pelo ferreiro ele será terrível para tarefas no chão, com o veterinário, mas vai deixar o cavaleiro montá-lo. O gado age da mesma forma, Homem a cavalo, homem a pé, são duas coisas completamente diferentes. Sabem, é uma imagem diferente. Bem, eu quero que vocês pensem no quão específico isto é.

Agora, esta capacidade de armazenar informação por categorias, encontro muita gente que não é muito boa a fazê-lo. Quando estou a tentar resolver problemas de equipamentos, ou problemas com qualquer coisa numa fábrica, parece que eles não conseguem descobrir, “Será que a formação profissional que dou está errada?” Ou “passa-se alguma coisa de errado com o equipamento?” Noutras palavras, arquivam o problema de equipamento, no mesmo sítio dos problemas com as pessoas. Encontro muita gente que tem dificuldade em categorizar corretamente. Bem, imaginemos que eu descubro que é um problema de equipamento. É um problema pequeno, alguma coisa simples que posso arranjar? Ou o problema está no design inteiro do sistema? As pessoas têm muita dificuldade em descobrir isso.

Tomemos, por exemplo uma coisa como resolver problemas para tornar os aviões mais seguros. Sim, eu sou passageira com muitas horas de voo. Eu viajo muito, e muito de avião, e se eu trabalhasse na FAA (Federal Aviation Administration), qual seria a coisa a que faria muita observação direta? Seria às caudas dos aviões. Sabem, cinco dos acidentes de avião nos últimos 20 anos, aconteceram porque ou cauda saltou completamente, ou porque o trem de aterragem se partiu dentro da cauda de uma forma qualquer. O problema está nas caudas, pura e simplesmente. E quando os pilotos andam à volta do avião, pois adivinhem? Eles não conseguem ver o que se passa dentro da cauda do avião. Sabem, agora que penso nisto tudo, estou a lembrar-me de muita quantidade de informação específica. É específico. Então, estão a ver, eu penso ao contrário do normal. Primeiro pego nas peças pequenas, e depois junto-as todas como se fossem um puzzle.

Ora, imaginemos um cavalo que tem um medo mortal de vaqueiros que usam chapéus pretos. Foi maltratado por alguém que usava um chapéu preto de vaqueiro. Se forem chapéus brancos, não há problema nenhum. Ora, o que se passa é que no futuro o mundo vai precisar de todos estes cérebros diferentes a trabalhar juntos. Temos de trabalhar no desenvolvimento de todos estes tipos de pensadores. E uma coisa que me põem completamente louca, quando viajo pelo mundo e faço conferências sobre autismo é que encontro muitos miúdos geeks muito inteligentes. E eles não são muito sociáveis. E ninguém trabalha para desenvolver os seus interesses em coisas como a ciência.

E isto leva-me a falar do meu professor de ciências. O meu professor de ciências é deliciosamente ilustrado no filme. Eu era uma estudante meio tonta. E quando fui para a secundária eu não queria ligava nada aos estudos. Até ter aulas de ciências com o Professor Carlock. No filme a personagem dele é o Dr. Carlock. E ele desafiou-me para tentar compreender o funcionamento de uma sala de ilusão de óptica. E vocês têm de fazer isto pelos vossos filhos, mostrar-lhes coisas interessantes. Sabem, uma das coisas que eu pensei que talvez o TED devesse fazer era dizer a todas as escolas que há grandes conferências no TED e que há uma quantidade enorme de informação na internet, para motivar estes miúdos. Porque eu encontro estes miúdos inteligentes e meio geeks, e os professores do midwest, e de outras partes do país, aquelas zonas afastadas das zonas tecnológicas, eles não sabem o que fazer com estes miúdos! E estão a dirigi-los para caminhos errados.

A questão é que vocês podem moldar o cérebro de forma a que a mente seja mais pensativa e cognitiva. Ou podem molda-lo de forma a ser mais sociável. E o que as pesquisas têm demonstrado no autismo, é que podem existir mais formas de ligação aqui dentro, na verdadeira mente brilhante, e que perdemos alguns circuitos sociais em troca. É uma espécie de troca entre o pensar e o ser social. E às vezes chegámos ao ponto em que a troca é tão severa que vamos encontrar uma pessoa que não é verbal. No cérebro normal humano a linguagem ofusca o pensamento visual que partilhamos com os animais.

Este é o trabalho do Dr. Bruce Miller. Ele estudou doentes com Alzheimer que sofriam de demência do lobo temporal frontal. E a demência devorou a parte linguística do cérebro  e esta obra de arte foi criada por alguém que costumava instalar aparelhagens em carros. Bem, o Van Gogh não devia perceber muito de física. Mas isto é muito interessante e já foram feitos estudos que provam que este gênero de padrão em espiral neste quadro segue um modelo estatístico de turbulência. O que nos leva uma teoria muito interessante de que talvez estes padrões matemáticos estejam armazenados no nosso próprio cérebro.

E as coisas todas do Wolfram (Stephen) que eu anotei notas que me lembrei de escrever para depois as pôr em palavras que pudesse usar porque eu penso que tem de continuar nas minhas conferências sobre autismo. Temos de mostrar a estes miúdos coisas interessantes. Foram-lhes retiradas as aulas de mecânica e aulas de educação visual, e aulas de arte. Quer dizer, a disciplina em que eu era melhor na escola era arte!

Temos de pensar em todos estes tipos diferentes de pensadores. E temos mesmo de trabalhar com estes gêneros de mentes porque nós vamos precisar absolutamente deste gênero de pessoas no futuro. E falemos de empregos. Ok, o meu professor de ciência fez com que eu estudasse porque eu era meio tonta e não queria estudar. Mas sabem que mais? Eu estava a ganhar experiência profissional. Tenho conhecido muitas criancas a quem não ensinaram as coisas básicas tais como ser pontual. Eu aprendi isso quando tinha oito anos. Sabem, como ter maneiras à mesa nas festas de domingo da avó. Eu aprendi isso quanto era muito, muito nova. E quando fiz 13 anos arranjei trabalho numa modista a costurar roupa. Fiz estágios durante a faculdade. Eu construía coisas. E também tive de aprender a fazer trabalhos.

Sabem, quando era pequena, tudo o que eu queria fazer era desenhar cavalos. A minha mãe disse-me “bem, vamos desenhar outra coisa qualquer”. Eles têm de aprender a fazer outras coisas. Por exemplo, uma criança  que tenha uma fixação com Legos. Ensinem-no a construir com outro tipo de materiais. O que se passa no cérebro autista é que tem tendência a fixar-se. Uma criança que adore carros de corrida, ensinem-lhe matemática usando os carros. Deixem-no descobrir em quanto tempo é que um carro de corrida percorre uma certa distância. Noutras palavras, usem essa fixação de forma a motivar a criança, é uma das coisas que nós precisamos de fazer. Eu fico muito aborrecida quando    os professores, especialmente nas zonas desta parte do país, eles não sabem o que fazer com estas crianças inteligentes. Isso põem-me louca!

O que é que os pensadores visuais podem fazer quando forem adultos? Podem trabalhar em design gráfico, em todo o gênero de coisas com computadores, fotografia, design industrial. Os pensadores por padrões, esses serão aqueles que no futuro serão os vossos matemáticos, os vossos engenheiros de sistemas, os vossos programadores de computador, todos esses tipos de trabalho. E depois têm os pensadores das palavras. Eles tornam-se grandes jornalistas. E também costumam ser muito bons atores de teatro. Porque uma das coisas sobre ser autista é, eu tive de aprender as competências sociais como se aprende um papel no teatro. É como se, temos mesmo de aprender a fazê-lo.

E precisamos de trabalhar com estes estudantes. E isto leva-nos aos mentores. Sabem, o meu professor de ciências não era um professor “credenciado”. Ele era um cientista espacial da NASA. Bem, agora em alguns estados estamos a ver que se o professor for licenciado em biologia  ou em química ele chega a uma escola e pode ensinar biologia ou química. Nós precisamos de fazer isso. Porque o que eu tenho visto é que os bons professores, para muitos destas crianças, estão colocados apenas nas universidades. Precisamos de pegar  esses excelentes professores e trazê-los para as escolas secundárias.

Outra coisa que pode ter muitos, muitos bons resultados  há muita gente que já se pode ter reformado de trabalhos nas indústrias de software e eles podem ensinar a vossa criança. E não interessa se o que ele lhes ensina é antiquado porque o que ele está a fazer é apenas acender a chama. Ele está a motivar aquela criança! E quando uma criança se sente motivada, elea vai aprender todas as coisas mais recentes. Os mentores são essenciais. Não me canso de dizer isto o que o meu professor de ciências fez por mim. E temos de ser mentores deles  e contratá-los.

E se lhes oferecerem estágios nas vossas empresas, o que se passa numa mente autista aspergiana, é que vocês têm de lhes dar tarefas específicas. Não digam só “desenhem novo software”. Vocês têm de lhes dar informações muito mais específicas. “Bem, nós precisamos de um software para um telefone e tem de fazer uma função específica e só pode utilizar uma certa quantidade de memória”. É este o gênero de especificidade que precisamos.

Bem, este é o final da minha conversa. Quero agradecer a todos por terem vindo. Foi muito bom estar aqui.

(Aplausos)

Ah, tem uma pergunta para mim? Ok. (Aplausos)

(Chris Anderson) Muito obrigado por ter feito isto. Sabe, uma vez escreveu, e passo a citar, “Se por algum passo de magia, o autismo fosse erradicado da face da Terra, neste momento o homem ainda estaria em frente de uma fogueira à entrada de uma caverna.”

(Temple Grandin) Então, mas quem é que pensam que fez as primeiras lanças de pedra? O tipo com Asperger. E se vocês se vissem livres de todos os fatores genéticos do autismo o Silicon Valleu deixava de existir, e a crise energética nunca seria resolvida. (Aplausos)

(CA) Então, eu queria fazer-lhe mais umas perguntas. Mas se achar que alguma é inapropriada fica à vontade para dizer “próxima questão” Mas se estiver aqui alguém que tem um filho autista ou que conhece uma criança autista e que não consegue comunicar com eles, que conselho é que tem para lhes dar?

(TG) Bem, em primeiro lugar, temos de ter em conta a idade. Se tiverem uma criança de dois, três ou quatro anos   que não fala, sem interação social, Eu tenho de insistir nisto não fiquem à espera, vão precisar pelo menos de 20 horas semanais de educação um a um. Sabem, o que se passa, é que o autismo tem vários graus. Metade das pessoas dentro do espectro nunca vão aprender a falar  e esses nunca irão conseguir trabalhar no Silicon Valley, não seria uma coisa razoável para eles.

Mas depois há as crianças inteligentes e meio geeks com um toque leve de autismo e são esses que vocês têm de motivar pondo-os a fazer coisas interessantes. Eu aprendi a interagir socialmente por interesses partilhados. Eu montava a cavalo com outras crianças. Eu fiz modelos de foguetões com outras crianças, participei em laboratórios de electrônica com outras crianças e nos anos 60 fazíamos colagens com espelhos nas membranas de borracha das colunas de som, para fazer espectáculos de luzes. E  nós considerávamos isso o máximo!

(CA) É uma coisa irrealista para os pais desejarem ou pensarem que aquela criança os ama, como a maioria faz e pode, ou é só um desejo.

(TG) Deixem-me dizer-vos uma coisa, aquela criança será leal. E se a vossa casa um dia estiver em chamas eles vão tirar-vos lá de dentro.

(CA) Wow. Então, quando perguntamos à maior parte das pessoas qual é a coisa que os apaixona mais, eles geralmente respondem “Os meus filhos”, ou “o meu amante”. O que é que a apaixona mais?

(TG) Eu sou apaixonada pelas coisas que faço porque vão tornar o mundo num lugar melhor. E quando ouço a mãe de uma criança autista dizer, “O meu filho foi para a faculdade graças ao seu livro  ou por causa de uma das suas conferências”. Isso faz-me feliz.

Sabem, os matadouros, eu trabalhei em vários nos anos 80, eram lugares absolutamente terríveis. Eu desenvolvi uma tabela de desempenho simples para os matadouros onde se podem controlar os resultados, a quantidade de gado abatido, quantos tiveram de levar choques elétricos, quantos animais mugiram até lhes saltar a cabeça. E é muito, muito simples. Têm de observar diretamente coisas muito simples. E resultou muito bem. Fiquei muito satisfeita por notar em coisas que marcam realmente a diferença no mundo real. Precisamos de muito mais disto  e muito menos de coisas abstratas. (Aplausos)

(CA) Quando estávamos a falar ao telefone, uma das coisas que disse e que me surpreendeu foi uma coisa que disse que era apaixonada por centrais de servidores. Fale-nos sobre isso.

(TG) Bem, a razão porque fiquei tão entusiasmada quando li sobre eles é por conterem conhecimento. São bibliotecas. E o conhecimento para mim é uma coisa que é extremamente valiosa. Bem, talvez porque, há 10 anos a nossa biblioteca sofreu uma inundação.E isto aconteceu antes da explosão da internet. E eu fiquei muito aborrecida porque os livros estragaram-se todos, porque o conhecimento foi destruído. E as centrais de servidores ou centrais de dados são grandes bibliotecas de conhecimento.

(CA) Temple, posso só dizer-lhe que foi excelente tê-la aqui no TED.

(TG) Ora, muito obrigada. Muito obrigada. (Aplausos)

 

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