
Historicamente, a escola assumiu a função social de transmitir o conhecimento humano acumulado, formando gerações capazes de compreender, interpretar e intervir no mundo. Para Paulo Freire (1996, p. 22), a educação não pode se reduzir a uma prática de transferência mecânica de conteúdos, pois “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. A escola, portanto, sempre cumpriu um papel de mediação cultural e ética, sendo espaço de construção de autonomia.
Com o advento das Inteligências Artificiais (IAs), o paradigma do ensino tradicional enfrenta desafios sem precedentes. O acesso imediato e personalizado à informação desloca a centralidade do professor como único transmissor de saber. Nesse contexto, Edgar Morin (2002) ressalta que a complexidade do mundo contemporâneo exige a formação de sujeitos capazes de articular saberes diversos, já que “o conhecimento pertinente deve enfrentar a complexidade, o global e o multidimensional” (MORIN, 2002, p. 36). A escola, então, não pode limitar-se a reproduzir conteúdos disponíveis digitalmente, mas deve orientar os estudantes na construção de saberes críticos e contextualizados.
Ademais, Bauman (2001) observa que vivemos em uma modernidade líquida, caracterizada por relações instáveis e em constante transformação. Nesse cenário, a escola permanece como um dos poucos espaços de estabilidade e socialização, pois, como afirma o autor, “na vida líquida moderna, não há molduras estáveis que possam manter as coisas em seus lugares” (BAUMAN, 2001, p. 9). A instituição escolar torna-se, assim, essencial para promover experiências de convivência democrática, empatia e cooperação, dimensões insubstituíveis pela tecnologia.
O papel do professor também se reconfigura. Segundo Freire (1996, p. 23), “quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. Nesse sentido, o professor deixa de ser apenas transmissor de conteúdos e passa a ser mediador de experiências significativas, capaz de orientar o uso ético e criativo das IAs.
O futuro da escola, portanto, não é a sua extinção, mas a sua transformação. É possível identificar quatro eixos principais para essa reinvenção:
- Formação crítica e ética: capacitar estudantes a avaliar informações de forma autônoma.
- Mediação humana e socioemocional: fortalecer competências de convivência e empatia.
- Integração entre tecnologia e produção de conhecimento: ensinar o uso consciente e criativo das IAs.
- Personalização da aprendizagem: equilibrar trilhas individuais com orientação pedagógica qualificada.
Em síntese, como observa Morin (2000, p. 14), “a educação deve contribuir para a autoformação da pessoa”, o que significa que a escola deve se tornar menos um repositório de conteúdos e mais um espaço de desenvolvimento integral, em diálogo constante com as novas tecnologias.
Referências:
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2000.
MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

Sou a Profa.Sônia Aranha, consultora educacional, bacharela em Direito,pedagoga, com mestrado em Educação pela Unicamp, atuando com direito do aluno com vistas a caminhos educacionais mais promissores.
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